Fundação MT

Itiquira reúne cadeia produtiva para entrega de novos resultados envolvendo a cultura da soja na região

Notícia

No início do mês, 07 e 08 de fevereiro, a Fundação de Apoio a Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso – Fundação MT, apresentou mais um ‘Fundação MT em Campo’ no Centro de Aprendizagem e Difusão – CAD Sul em Itiquira/MT. Uma área experimental de aproximadamente 100 ha, onde são mantidos mais de 60 protocolos de pesquisas que acompanham a realidade das lavouras comerciais de Mato Grosso há mais de uma década.

Foram mais de 16 horas de conteúdo e participação de todo o time de pesquisadores da Fundação, apresentando a campo, os últimos resultados em pesquisas envolvendo a cultura da soja. Um total aproximado de 800 pessoas, de diversas regiões do país, estiveram presentes. O senhor Paulo Saquetti, produtor na região há 30 anos, disse que veio em busca de mais informações e comparativos entre os sistemas testados pela Fundação. “Viemos buscar tecnologias para melhorar a produtividade das nossas lavouras. A Fundação adota diferentes sistemas de produção, então a gente vem para adquirir mais conhecimentos e usar oque melhor se encaixa dentro das nossas propriedades”, disse.

O evento teve início às sete da manhã, com programação nos dois períodos. O público conferiu trabalhos em manejo de pragas e doenças; nematoides; plantio direto; rotação e sucessão de culturas; física do solo e metodologias de avaliação; variabilidade espacial; novas tecnologias; uma vitrine de cultivares; robótica e mercado. Seis experimentos e dois painéis, tudo alinhado ao slogan “Integração: A Chave que abre novos horizontes”, conceito que estará presente em todos os eventos da Fundação MT deste ano. Uma proposta que sugere que o produtor pense na lavoura de forma integrada. “Nosso objetivo aqui é provocar o produtor, mostrando o que está sendo feito e qual será o resultado dessas escolhas”, disse o Diretor Técnico e Pesquisador da Fundação MT, Leandro Zancanaro, durante recepção de boas-vindas aos produtores.

Para o produtor Roberto Weber, o Fundação MT em Campo é uma chance de reaprender, quebrar conceitos, paradigmas e renovar as ideias dos sistemas, disse. Ele participou do evento no primeiro dia e chamou atenção para o trabalho de rotação de culturas. Um experimento que segue para o 11º ano de pesquisas, mas que só começou a apresentar resultados a partir da 7º safra. “Muitas vezes o produtor desiste antes de alcançar resultado. Começa a fazer um trabalho, em quatro, cinco anos, desiste e muda, sendo que ali que o resultado iria começar a aparecer. O solo não responde no tempo que estamos acostumados. O experimento mostra isso muito claro”, reforçou.  

O programa a que Paulo se refere, avalia os efeitos da produtividade da soja no sistema de rotação de culturas e foi destaque do evento, recebendo centenas de pessoas nos dois dias de visitação. A estação comandada pelos pesquisadores Fábio Ono e David Valendorff chamou atenção com a entrega de mais resultados do comparativo de produtividade envolvendo oito esquemas de sucessão e rotação de culturas (soja, milho, crotalária, braquiária e milheto). No sistema de plantio direto ou com preparo anual do solo.

O sistema soja x milho apresentou maior produtividade, 80 a 100 sacas/ha em dez anos de experimento. Mas a pesquisa também fornece outras variáveis importantes como níveis de adubação, formação de matéria seca e controle de nematoides, no comparativo entre os sistemas, explicou os pesquisadores. “Trata se de um trabalho riquíssimo com informações completas para o produtor fazer um manejo mais eficiente e estratégico dentro da sua área”, sintetizou Fábio Ono. O trabalho também conta com uma análise econômica dos dados, tabulada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária – IMEA, que é parceiro do experimento a dois. O assunto ganhou um dos painéis apresentados no período da tarde e segundo mostrou, até agora, o sistema soja x milho também é o que apresenta maior retorno do produtor a cada real investido na lavoura.

Nesta edição os experimentos foram organizados em estações mais próximas umas das outras, facilitando o deslocamento e permitindo mais interação. O engenheiro Agrônomo Ademilson Batista de Souza, esteve em outras edições e elogiou a diferença. “Ficou mais compacto, dando oportunidade do visitante andar por todas as estações com mais facilidade”, disse. Para ele, participar de eventos como esse é uma obrigação para o produtor se manter na liderança. “Quem quer se manter no topo tem que participar. Conhecimento é tudo. A palavra chave para ter rendimento e produtividade é ter conhecimento”, disse.

Um dia antes da abertura oficial do evento, no dia 06, o Fundação MT em Campo recebeu instituições de ensino da região. Estudantes de agronomia e técnicos agrícolas que logo estarão trabalhando na agricultura do Estado e do país. Eles percorreram as estações do evento, tiraram dúvidas e entenderam um pouco mais sobre o trabalho de pesquisa realizado no CAD Sul. Foi um dia inteiro de interação com os pesquisadores, como forma de aproximar a comunidade acadêmica e fomentar o interesse das novas gerações pelo setor de pesquisa, disse o Gestor de Marketing da Fundação, Luís Carlos. “Além de cumprir com nossa missão de difundir informação ao setor agrícola, a Fundação MT também se preocupa em agregar conteúdo prático e técnico na formação desses jovens, além de cumprir com um papel educacional. São experiências que com certeza farão a diferença na vida acadêmica e profissional deles” disse.

Para saber mais sobre a agenda completa dos outros eventos programados para esse ano, acesse o site www.fundacaomt.com.br .