Fundação MT

Fundação MT, 25 anos dando vida aos resultados.

Fundação MT completa 25 anos neste mês

Contar a história da Fundação MT no Estado é narrar o desenvolvimento da agricultura na região. Voltar em uma época não tão próspera, em que a agricultura corria riscos acima de tudo, por falta de informações.

Sérgio Stefanello é um dos pioneiros da agricultura no Mato Grosso. Fez a vida em Campo Novo do Parecis (MT) graças à agricultura. E admite que a situação era ‘arcaica’, e ‘bastante atrasada’, entre as décadas de 80/90. “Foi a integração, a criação de novas tecnologias e as respostas chegando rápido no campo, que fizeram a agricultura se desenvolver de forma rápida, intensa e profissional como vimos hoje”, recorda.

O setor agrícola de Mato Grosso não tinha conhecimentos suficientes para corrigir problemas técnicos na agricultura, combater doenças até então desconhecidas, encontrar soluções e tecnologias que se ajustassem a região e todas as suas variáveis. Os produtores não conseguiam avançar e fazer da agricultura algo rentável. Faltavam insumos modernos, maquinário e até instrumentos de políticas agrícolas. Mas acima de tudo, ciência!

A solução veio como uma tacada de mestre, com o olhar visionário do Engenheiro Agrônomo, Dario Minoru Hiromoto (in Memorian), que trabalhava na região como melhorista da EMBRAPA. Ele entendia que os produtores precisavam levar a pesquisa para dentro dos seus negócios e propôs a criação de uma Instituição de Pesquisa, que trabalharia de forma exclusiva para a agricultura de Mato Grosso. Um grupo de 23 produtores abraçou a ideia. Nascia assim a Fundação de Apoio a Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT). Uma fundação imparcial, subsidiada pela iniciativa privada, para abastecer os produtores de informações.

Em passos largos, a agricultura de Mato Grosso foi se transformando na gigante de hoje, que bate recordes de produtividade ano após ano. A produção de soja no Brasil, em meados dos anos 90, era de 24 milhões de toneladas, por 11,3 milhões de hectares (EMBRAPA). Hoje, Mato Grosso produz isso sozinho! É o maior produtor brasileiro de soja, segundo levantamento realizado em maio de 2018, pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). Com mais de 31 milhões de toneladas, em uma área superior a 09 milhões de hectares. Fica até difícil acreditar que os produtores, algum dia, sofreram com dificuldades técnicas, como relembra outro pioneiro da agricultura no Estado, Odílio Balbinotti Filho. “O solo da região era totalmente diferente do que tínhamos no Sul, precisava de uma nova recomendação. Toda essa adaptação, o acompanhamento das novas pragas, as novas situações que tivemos que enfrentar. E eu fico muito feliz de ter a Fundação MT ao nosso lado, nesse avanço todos esses anos”, agradeceu.

As respostas passaram a chegar mais cedo, enfatiza o produtor Argino Bedin, referência na agricultura brasileira e no cultivo de soja e milho na região Norte. Ele também chegou a Mato Grosso antes de todas as descobertas da pesquisa e conta como a informação passou a girar mais rápido, com o acompanhamento da Fundação. “As doenças, primeiro aconteceram no sul do mato grosso. E quando chegavam aqui no Norte as pesquisas já estavam bem adiantadas, o que favoreceu muito a agricultura na região, principalmente em Sorriso, onde a gente planta ha muitos anos”, destacou.

O TRABALHO

Lado a lado com o produtor, o trabalho da Fundação MT foi ganhando forma e hoje engloba diversas áreas de conhecimento. A área de Validação de Pesquisa, a qual presta serviços em diversas áreas diretamente para o produtor. A Assistência Técnica, que leva informações direto da pesquisa para o produtor e traz demandas para futuras pesquisas, entre outras, explica o Gestor Técnico Leandro Zancanaro. “Com isso a Fundação MT pode funcionar de forma sustentável. É uma relação ganha a ganha”, completa.

As informações produzidas pela Fundação são compartilhadas para o produtor em eventos distribuídos em todo Estado, ao longo do ano, em cada momento da safra. O Programa de Difusão de Tecnologia leva informações técnicas referentes às três principais culturas do Estado: soja, milho e algodão, além de promover debates e discussões referentes aos sistemas de produção adotados hoje no Estado do Mato Grosso. Além de tirar dúvidas do produtor, como o É Hora de Cuidar, que no ultimo mês encerrou mais uma edição, passando por nove cidades do Estado, com o tema “Os Cuidados no Tempo Certo”.

A agenda para 2019 já está toda montada. A Fundação abrirá o ano com o evento Fundação MT em Campo nas regiões Médio Norte e Sul do Estado. Os eventos fazem parte do Programa de Difusão de conteúdo da Fundação e as informações estão disponíveis no site www.fundacaomt.com.br. “Nosso desafio é antecipar situações e fazer com que o setor tenha sempre em mãos, as respostas e tecnologias que precisa, no tempo certo”, explica o Gestor de Marketing da Fundação MT, Luís Carlos de Oliveira.

O trabalho de pesquisa desenvolvido pela Fundação acontece em campos próprios, os ‘Centros de Aprendizagem e Difusão’ (CADs), distribuídos nas regiões Médio Norte, Parecis, Oeste e Sul do Estado de Mato Grosso. Nessas mais de duas décadas de trabalho, a Fundação MT abriu um total de sete CADs e firmou grandes parcerias, a exemplo do “CAD para Pesquisa em Solos Arenosos”, junto à Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), em Campo Novo do Parecis. Também deu início à Estação de Pesquisa em Sistema de Produção e Trabalhos Independentes, exemplo do projeto sobre “Avaliação do Efeito da Monocultura, Sucessão e Rotação de Culturas em Sistema de Plantio Direto, Sobre a Produtividade de Soja e Milho”, que começou na safra 2008/2009 e já vai para 11 anos de duração.

Somente na ultima safra, um total de 657 protocolos de pesquisa foram realizados pela Fundação, nas áreas de Manejo de Solos e Sistemas de Produção; Mecanização e Variabilidade Espacial; Entomologia; Nematologia; Validação de Resultados e Fitopatologia. No início de 2018, foram criadas novas áreas de conhecimento em Herbologia e Tecnologia de Aplicação; Fitotecnia e Agricultura Digital. “Tudo para ampliar a geração de informações em setores de maior interesse da Agricultura”, acrescenta o Gestor de Marketing, Luís Carlos de Oliveira. Desde então, a Fundação passou a trabalhar com novo slogan “Dando Vida aos Resultados”, frase usada por um dos idealizadores da Fundação, Dario Minoru Hiromoto, quando tudo começou em 1993.

O FUTURO

As projeções do agronegócio para 2025, do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA) apontam que o Brasil será responsável por suprir 40% do aumento da demanda mundial de comida, fibras e energia até 2050 e Mato Grosso aparece na posição de principal personagem desse contexto. O desejo da classe produtora é que a pesquisa continue no papel principal dessa história. “Nossa expectativa é que a Fundação Mato Grosso também seja protagonista com soluções tecnológicas e continue ajudando a fazer a agricultura do Mato Grosso ser cada vez mais competitiva”, diz o produtor Odílio Balbinotti Filho.